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Licor, fogos e fogueira: a combinação perigosa para queimaduras no São João

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Com a chegada do mês de junho, a Bahia se prepara para comemorar os festejos juninos, após dois anos de suspensão devido à pandemia da Covid-19. Durante essa época, as festas são marcadas por diversas tradições como fogos de artifícios e fogueiras que garantem diversão, mas também aumentam o risco de acidentes como queimaduras e mutilações. 

“A combinação de fogos, fogueira e consumo excessivo de álcool é uma combinação perigosa, explicou médico Carlos Briglia, que foi chefe por 26 anos do serviço de queimados do Hospital Geral do Estado e é o atual coordenador de cirurgia plástica do Hospital Mater Dei Salvador (@materdeisalvador). Ele foi o convidado desta semana do programa #saudeebemestarcorreio , apresentado pelo jornalista Jorge Gauthier (@jorgegauthier). 

Confira o programa na íntegra:

 

Não à toa que no mês de junho é realizada a campanha “Junho Laranja”, em comemoração ao Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, celebrado no dia 6. O objetivo é alertar e conscientizar a população sobre a importância da prevenção de acidentes com queimaduras. 

Para aproveitar a maior festa popular da Bahia com segurança é preciso cautela no manuseio dos fogos de artifícios.

 Os artefatos podem ser extremamente perigosos para adultos e crianças, principalmente quando usados de forma inadequada. Os fogos de artifícios possuem pólvora como principal ingrediente de sua composição, material explosivo que pode causar graves lesões na pele.

Briglia explica que a maioria dos casos de queimaduras por fogos de artifícios em adultos ocorre por uso de espadas e rojões. “O maior número de casos de queimaduras graves está concentrado no interior do estado, onde ocorrem as tradicionais guerras de espada. Embora tenham sido proibidas em algumas cidades, elas ainda ocorrem em diversos municípios como Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Sapeaçu e Senhor do Bonfim”, afirma o especialista.

Bêbados na fogueira 

Muitos casos ocorrem durante a tentativa de acendimento inadequado com materiais altamente inflamáveis, como gasolina e querosene, ou por acidentes, como quedas dentro da fogueira. Além de queimaduras, acidentes com fogos de artifícios também podem causar mutilações, que atingem principalmente as mãos e o antebraço e podem levar a amputação dos membros.  “Este tipo de acidente ocorre com maior frequência em zona urbana, como Salvador, onde os principais fogos de artifícios utilizados são as bombas”, explica.

 Briglia alerta que o uso de fogos de artifícios e manuseios de fogueiras são arriscados e nunca devem ser associados ao consumo de bebidas alcoólicas. “O que acontece com muita frequência são adultos que vão soltar fogos após beberem muito e acabam sofrendo queimaduras. Há também casos de pessoas que se acidentam por acender ou pular fogueiras embriagadas. Além disso, o adulto quando bebe demais acaba negligenciando as crianças que estão soltando fogos, e elas também acabam sendo vítimas de acidentes. Pólvora e álcool são uma mistura extremamente perigosa”, alerta.

O que fazer se queimar?
A queimadura é uma lesão cutânea causada por algum agente externo, como a combustão de pólvora dos fogos de artifícios. O trauma pode ser superficial, quando atinge apenas a pele, ou profunda, quando ocorrem lesões nos músculos e ossos. Em casos de acidentes com queimaduras, a orientação é lavar a lesão com água corrente fria, cobrir o local com um curativo ou pano limpo e procurar um atendimento médico imediatamente. 

Alerta
 A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mobiliza campanha em apoio à Luta Contra a Queimadura. Um milhão de pessoas são vítimas de acidentes com queimaduras no Brasil, sendo que 40% dos casos que ocorrem no ambiente doméstico atingem crianças. A melhor maneira de reduzir esses números é investir em prevenção

Números das incidências no Brasil:

– 40,7% dos casos ocorreram com homens 

– 67,7% dos acidentes ocorrem no ambiente doméstico

– 52% das queimadoras acontecem em decorrência do uso de substâncias quentes

– 92% dos acidentes domésticos envolvem crianças e adolescentes de 0 a 15 anos *

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