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De ‘chuvinha’ a ‘espada’: Veja dicas para evitar e tratar queimaduras no período de São João

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Com a chegada do período do São João, os cuidados para evitar acidentes com fogo devem ser redobrados. Queimaduras com fogos de artifícios são bastantes comuns durante os festejos juninos e, segundo o cirurgião plástico, especialista em queimaduras e professor na Medicina FTC, Victor Felzemburgh, é necessário ter cautela desde a escolha dos materiais para curtir a festa.

 

“Em relação aos fogos de artifício tem que ter o cuidado desde a compra. Tem que ser em local que tenha autorização e tem que ter cuidado para não comprar fogos que não tenham procedência, que não tenham selo de qualificação, para não correr riscos de acidentes. E é importante seguir as instruções, principalmente os fogos de artifício que explodem, que é recomendado se afastar bastante”, explicou o especialista, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Felzemburgh alertou também sobre a questão das queimaduras com espada, tipo de fogos de artifício que está proibido na Bahia desde 2010 (saiba mais aqui). Conforme o médico, depois da Lei do Desarmamento, as espadas são consideradas armas, mas seguem sendo fabricadas de forma clandestina e não existe um controle da quantidade de pólvora, nem da potência de cada espada. E isso pode causar lesões ainda mais graves. 

 

Mas não só esses fogos de artifício grandes que oferecem riscos. O especialista cita até mesmo aqueles pequenos fogos utilizados por crianças. “Uma coisa que acontece frequentemente, até um fogo de artifício que parece ser inofensivo, como aquelas ‘chuvinhas’, uma criança pode apontar em direção da outra e aquelas roupinhas de São João, que são muito perigosas, porque boa parte daquelas roupas é feita com tecidos altamente inflamáveis, e uma fagulha muito pequena pode causar uma queimadura grave numa criancinha. Temos que ter atenção nas fogueiras, nas roupinhas e nos fogos de menor intensidade também”, destacou. 

Em casos de queimadura, não apenas com fogos, mas com qualquer tipo de acidente, Victor Felzemburgh recomenda que a primeira coisa que se deve fazer é colocar a mão ou o local que sofreu lesionado sob água corrente, em temperatura ambiente, para resfriar o local da queimadura.

 

“É importante observar que se for numa mão e tiver relógio, anel, alguma roupa grudada, se for possível tirar já retira, porque se não esse material pode grudar na pele, e se for anel ele pode garrotear o dedo”, orienta. 

Com relação às sequelas, o médico disse que as queimaduras podem resultar em lesões de todo tipo. Segundo ele, toda queimadura, se for profunda, vai causar algum de tipo de lesão. Em alguns casos, é necessário fazer uma cirurgia para retirar o tecido que está queimado e, a depender da profundidade da queimadura, isso poderá gerar um quadro ainda pior, pois durante a cicatrização o paciente pode sofrer algum tipo de alteração. 

 

“Às vezes você tem uma queimadura em alguma dobra do corpo, como na mão, e isso pode alterar a mobilidade dos dedos. Uma bomba, além dos riscos imediatos de sequelas, a longo prazo [as queimaduras] podem interferir na movimentação dos membros”, ressaltou Victor.

 

De acordo com o especialista, neste mês a Sociedade Brasileira de Queimadura e a Sociedade de Cirurgia Plástica, das quais ele é membro, estão realizando uma campanha voltada ao “Junho Laranja”, que tem como foco chamar a atenção para o dia 6 de junho, instituído pela Lei 12.026/2009 como Dia Nacional de Luta contra Queimaduras. Para Victor, as campanhas voltadas ao tema são necessárias por serem uma forma de estar lembrando a população do risco de queimaduras e para que o acidente seja evitado.

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