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Prefeito dirige caminhão de lixo e trabalhadores fazem dancinha no Dia do Gari

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Quando era criança toda vez que ouvia o barulho do carro da coleta de lixo Juraci da Paixão, o Juca ou Jaca, 31 anos, corria até a janela para ver o avô. O idoso, hoje aposentado, naquela época trabalhava como gari. Alguns anos depois, o pai de Juca também ingressou no serviço. E nesta segunda-feira (16), ele foi um dos trabalhadores escolhidos para representar a categoria no Dia Nacional dos Garis.

“Sou a terceira geração de gari na minha família e tenho muito orgulho disso. Meu pai ainda está na ativa, mas conseguiu subir de cargo e está na área de fiscalização. Eu tenho 1 ano e cinco meses trabalhando como gari e fiquei muito feliz de poder estar aqui hoje. A gente merece esse reconhecimento”, contou.

Ele e os amigos são sensação na internet com dancinhas e coreografias improvisadas durante a coleta. Por conta da data, a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) montou a exposição Gigantes. Seis caminhões compactadores e plotados com 12 artes fotográficas dos trabalhadores circularão pelos bairros de Salvador. A exposição também está aberta ao público no Shopping da Bahia, até 31 de maio.

Durante a manhã, os veículos ficaram em exposição na Praça Municipal o que acabou gerando uma cena um tanto inusitada. O prefeito Bruno Reis, que foi até o local para cumprimentar os profissionais, resolveu dirigir um dos caminhões. Enquanto ele fazia as manobras entre o Palácio Rio Branco e a Prefeitura, alguns curiosos pararam para observar. A turista de Minas Gerais, Amanda Leite, 34 anos, ficou curiosa com o alvoroço.

“Quem está dirigindo? Por que as pessoas estão fotografando?”, questionou, enquanto tentava identificar o motorista. Ao ser informada que se tratava do prefeito, ela riu. “Ele também é gari?”, e foi fazer uma foto. Depois de devolver o caminhão, Bruno Reis, comentou sobre a data.

“São trabalhadores que diariamente estão nas ruas fazendo um árduo e difícil trabalho. Não é fácil realizar varrição, limpeza, coleta, transbordo e depois ainda dar tratamento aos resíduos. Fazemos investimentos expressivos na coleta de lixo, mas eles não seriam suficientes e não dariam o resultado que temos se não houvesse o empenho, o envolvimento e a parceria de toda a galera que trabalha na limpeza. Em nome da cidade e da população de Salvador agradecemos aos garis por todo trabalho que realizam”, disse.

Haverá também um circuito de rádios “Fala Gari!”, até sexta-feira (20), onde alguns agentes irão conversar sobre temas acerca do cotidiano, como sonhos, dignidade, honestidade e o trabalho como gari. Um café da manhã na sede da Limpurb, na BR-324, e nas garagens das empresas prestadoras de serviço, Sotero e Ecosal, marcaram a data.

Desafios
Nas redes sociais, os elogios e agradecimentos aos mais de 4 mil garis que trabalham em Salvador inundaram as timelines, muitos relembraram vídeos engraçados e o bom-humor dos profissionais, mas quem está na labuta do dia a dia contou que nem tudo são flores. O gari Lucas Ricardo completou 28 anos, nesta segunda, e disse que estava muito feliz com o reconhecimento, mas fez algumas observações.

“Eu visto essa farda com muito orgulho, é o meu trabalho, mas tem muita gente que ainda tem preconceito com a gente. A maioria das pessoas é tranquila, mas tem aquele 1% que entristece. Além disso, tem as pessoas que descartam vidro e seringas de qualquer jeito. Nossas luvas não são de ferro, são de borracha, então, fura e machuca”, contou.

Já o gari Alexandre da Silva, o Alex Quebradeira, 35 anos, reclamou da falta de educação de alguns motoristas. “Muitas vezes, quando a gente está varrendo os carros passam tirando fino, quase atropelando. Se a gente não sair correndo, eles passam por cima, não respeitam a distância. É muito perigoso para a gente”, contou.

A prefeitura informou que os trabalhadores recolhem 3 mil toneladas de lixo por dia na capital, e atuam em áreas como desobstrução de bueiros, limpeza de encostas e colocação de lonas em áreas de deslizamento. Sobre as queixas dos profissionais, o Município disse que tem feito esforços para ampliar a coleta seletiva e campanhas de conscientização no trânsito, e pediu que a população colabore.

Sobre o preconceito contra a categoria, o prefeito foi direto. “Imagine se não tivesse gari para recolher o lixo, que em Salvador são 3 mil toneladas por dia? Sem os garis as vias ficariam intransitáveis. As pessoas que têm preconceito deviam ter é reconhecimento, porque o trabalho deles é essencial. Espero que essa data sirva para refletir”, afirmou.

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