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Pesquisa para definir candidato da terceira via amplia crise interna no PDSB

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A carta enviada por João Doria (PSDB) ao presidente nacional do partido, Bruno Araújo, na qual o ex-governador de São Paulo afirma que sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto está sofrendo “tentativas de golpe”, é mais um capítulo da crise que atinge o tucanato. A reação de Doria ocorreu dias depois da reunião em que Araújo e os presidentes do MDB, Baleia Rossi, e do Cidadania, Roberto Freire, decidiram encomendar uma pesquisa quantitativa e qualitativa para definir quem será o candidato da chamada terceira via, que tenta encontrar uma alternativa para se contrapor à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Aliados do ex-gestor paulista afirmam que os critérios foram estabelecidos para beneficiar a senadora Simone Tebet, presidenciável emedebista.

“Apesar de termos vencido legitimamente as prévias, as tentativas de golpe continuaram acontecendo. As desculpas para isso são as mais estapafúrdias, como, por exemplo, a de que estaríamos mal colocados nas pesquisas de opinião pública e com altos índices de rejeição, cinco meses antes das eleições”, escreveu Doria. Na carta, o tucano também diz não concordar com a realização de um levantamento entre o seu nome e o de Tebet. “Não abrimos mão da posição de protagonista do projeto nacional do nosso partido, nos termos da decisão soberana da maioria de seus filiados. Não concordamos com qualquer outra pesquisa de opinião, considerando que a pesquisa interna, direta, já foi feita aos filiados, cabendo a você apenas respeitar o posicionamento anterior”, acrescentou.

A realização da pesquisa, cujo resultado será divulgado nesta quarta-feira, 18, é vista por tucanos como uma forma de inviabilizar e escantear Doria da discussão sobre a candidatura da terceira via. Isso porque, embora o ex-governador apareça na frente da emedebista nas intenções de voto – 3% contra 1%–, sua rejeição (55%) é a segunda maior entre todos os postulantes, ficando atrás apenas do atual mandatário do país, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). Dirigentes dos partidos envolvidos nas negociações e críticos da candidatura de Doria afirmam que, neste momento, é melhor optar pelo nome que tem maior potencial de crescimento ao longo da campanha, ou seja, aquele com menor rejeição junto ao eleitorado.

À Jovem Pan, um interlocutor de Bruno Araújo apontou que “a questão política” deve ter um peso maior na escolha: os partidos devem avaliar a capacidade do candidato aumentar as bancadas na Câmara e no Senado, além do poder do postulante de conseguir palanques nos Estados-chaves e reunir apoio de suas respectivas legendas. No último quesito, tanto Doria quanto Tebet sofrem com boicotes internos, mas a senadora tem um trunfo: o apoio de metade dos diretórios estaduais do MDB. Em seu reduto, onde foi eleito governador, Doria não conseguiu nem emplacar o seu sucessor. Rodrigo Garcia (PSDB) só tem 5% de intenções de voto como governador de São Paulo, sendo ultrapassado por Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB) e pelo ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado por Bolsonaro. Se seguir nessa toada, o PSDB corre o risco de perder a jóia de sua coroa, São Paulo, Estado que governa há quase três décadas.

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