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Entenda por que os sites asiáticos têm tirado o sono dos grandes marketplaces do Brasil

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Menor preço, variedade, abordagem insistente. Oferta relâmpago piscando por todo os cantos e cupom de desconto brotando de tudo quanto é lado. Parece o comércio de rua do centro da cidade? Mas não, a freguesia é outra e está bem ali a um clique de distância do aplicativo. O camelódromo agora é digital.  Sites asiáticos como Shopee, Aliexpress e Shein estão com tudo: dois a cada três brasileiros compraram em endereços estrangeiros, no último ano, mesmo com o dólar nas alturas – passando de R$ 5 desde junho de 2021 e  com recuo no final de março de 2022.

E não para por aí: esse volume deve aumentar bastante este ano. Segundo a edição mais recente da pesquisa Webshoppers da NielsenIQ|Ebit e Bexs Pay, 71% das pessoas pretendem continuar comprando produtos de fora do Brasil este ano.

Dos 87,7 milhões de brasileiros que compram online, 68% adquiriram produtos importados em 2021. O tamanho dessa fatia faz muita diferença. Isto porque o faturamento dos sites cross border (internacionais) cresceu 60% no ano passado e chegou a atingir R$ 36,2 bilhões. O montante representa cerca de 17% do comércio online no país, que faturou R$ 218,9 bilhões no mesmo período.  

Os números mostram como esses sites asiáticos se tornaram um fenômeno de consumo no país onde se compra de um tudo online – até minhoca para a composteira, como fez o engenheiro ambiental Thayllon Ferro, que gastou R$ 50 no produto.

“No Shopee, a primeira coisa que eu comprei foi de um vendedor brasileiro. Era uma composteira que veio pelo Correio com as minhocas vivas dentro. Lá você acha coisas absurdas. O que mais me atrai na plataforma são os produtos mais diferenciados e os preços”.  

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Shopee comemora maior crescimento em participação no mercado entre os sites asiáticos, ao saltar de 8% para 56%
(Foto: Sora Maia/ CORREIO)

De carrinho em carrinho, Thayllon compra também alpargata e máscaras. Este último item, uma pechincha, por R$ 9,90.   “Eu amo tanto esses sites que meus amigos já me prometeram um bolo com tema do Shopee no meu aniversário ”, brinca. O engenheiro ambiental chega a fazer quatro compras por mês, dependendo da necessidade.

“São plataformas que têm produtos com preços de coisas que no Brasil seriam itens de camelô, mas que lá fora são itens de marcas alternativas”, complementa.  

Thayllon, no entanto, não nega que já caiu também em algumas ciladas. “Uma vez, comprei uma semente de planta da China. Era para vir um cacto. Mas na hora, quando plantei, nasceu uma erva daninha. Fiz até um vídeo e postei no meu Instagram. Tem que ter o jeito de procurar as coisas e fazer essa seleção para não cair numa fraude ou em um erro de entrega”.  

Ainda de acordo com a pesquisa da NielsenIQ|Ebit e Bexs Pay, o nome do apelo se chama mesmo preço baixo. Para mais da metade dos consumidores (63%), esse é o maior atrativo que conquistou a preferência do consumidor brasileiro. As categorias mais compradas foram Moda (38%), Eletrônicos (36%), Casa e Decoração (24%), Informática (21%), Brinquedos e Games (17%), como destaca o head de e-commerce da NielsenIQ Ebit, Marcelo Osanai. Um dos fatores que tem melhorado a relação do consumidor com as compras internacionais é a diminuição no tempo de entrega. Se em 2019 a média era 42 dias, a espera caiu para 28.  

“A avaliação dos brasileiros aos sites estrangeiros é a melhor dos últimos três anos, em grande parte por conta da redução no tempo de entrega. Isso demonstra que os consumidores têm apetite por consumir produtos do exterior, sendo impedido muitas vezes por questões técnicas da jornada de compra. Com a melhora nessa experiência, o e-commerce cross border deve crescer ainda mais”.  

No ranking das queridinhas está a Shopee, que saltou de 8% (2020) para 56% (2021). Já a  Shein cresceu 21%. A Aliexpress, no entanto, embora tenha perdido um pouco de espaço no ano passado, manteve a participação expressiva – de 52% para 44%. 

“A pesquisa retrata um novo cenário competitivo com destaque da Shopee e Shein, tudo isso por conta do crescimento acelerado desses dois e-commerces que até anos atrás não eram relevantes no mercado brasileiro”, analisa Osanai.  

A Bahia é um dos lugares que os consumidores mais compram na Shopee e ocupa a liderança entre os estados do Nordeste. No ranking nacional, fica atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. São mais 20 categorias de produtos e 95% dos pedidos são feitos via smartphone.  

Os dados são da própria plataforma que listou, inclusive, os produtos que mais atraem os baianos, como pontua o responsável pelo marketing na Shopee, Felipe Piringer. No primeiro lugar de vendas no estado está a máscara descartável. Em seguida, touca de cetim, desodorante, pomada modeladora de cabelo e roupa íntima feminina.

“Não nos vemos como uma empresa estrangeira. A Shopee está presente no Brasil com CNPJ e sede na cidade de São Paulo. Acabamos de atingir 2 milhões de vendedores brasileiros registrados em nossa plataforma e mais de 85% das nossas vendas são de vendedores locais. A meta é continuar crescendo exponencialmente”.  

Gatilhos  
Para o fundador da consultoria especializada em varejo Varese Retail e conselheiro de empresas, Alberto Serrentino, o sucesso dos sites asiáticos tem mais algumas explicações.  O que os asiáticos são muito bons é em oferecer além de uma variedade gigantesca de produtos, uma quantidade imensa de sellers (vendedores). Some aí,  a intensidade da gameficação – moedas, cupons, recompensas, cashbacks. Tudo isso se transforma em gatilhos muito eficientes, por sinal.  

“A Shein, por exemplo, é uma operação chinesa montada para vender cross border para o mundo com uma velocidade brutal e com uma capacidade de algoritmos que decifram tendências e detectam demandas nas redes sociais com uma resposta muito rápida. São lançados de 3 mil a 5 mil produtos por semana e a Shein consegue despachar esses itens para qualquer lugar a preços muito competitivos”, comenta o especialista.  

Serrentino pontua que as plataformas estrangeiras – sobretudo, os marketplaces – se aproveitam ainda da ‘Regra dos Mínimos’, o que facilita o barateamento desses produtos. Na prática, é o seguinte: no Brasil, existe uma isenção de valor de qualquer pagamento de imposto, importação ou burocracia de importação para encomendas internacionais  pessoais de até 50 dólares.  

“Os sites de fora se aproveitam um pouco desse limbo regulatório. Na verdade, isso  não abrigaria a venda de empresas para pessoas físicas, mas no fundo como isso não está regulamentado acabou ficando, abrindo uma porteira gigantesca para que haja muita venda de produtos baratos e de produtos que caibam dentro dos 50 dólares de isenção”, explica Serrentino.

Negócio da China
A maquiadora Rafaela Martins, 33 anos, conta que já chegou a fazer 12 compras por mês na Shein, mas tem tentado reduzir essa frequência pela metade. “Gasto, em média, R$ 600. Conheci a Shein quando entrei em um processo de emagrecimento. As opções do site eram muito variadas e com um excelente custo benefício. Normalmente eu olho os produtos na venda ‘flash’. Aí eu penso: meu Deus, só 10 reais numa blusinha? Não posso perder essa oportunidade”.

Rafaela leva a sério os comentários de clientes e as recomendações antes de fazer qualquer compra. “Leio especificações e, principalmente, comentários das pessoas que já compraram. Se for positivo, levo. Quando você aprende a analisar e escolher bem os produtos, dificilmente se decepciona”, diz.  

E aí dá para entender porque plataformas como o Shopee, Aliexpress e a Shein estão tirando o sono de grandes e-commerces nacionais – entre eles, Havan, Magalu, Americanas e Casas Bahia – suas principais concorrentes.  As varejistas brasileiras têm pressionado o governo a taxar os produtos internacionais vendidos em plataformas estrangeiras, alegando pagar mais impostos. O Ministério da Economia já sinalizou que prepara uma Medida Provisória para endurecer as regras de importação.

Uma das mudanças que está sendo discutida é a tributação da importação feita por pessoas físicas por meio dessas plataformas digitais, independente do valor da compra. Economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), entidade responsável pela implantação do Impostômetro, Marcel Solimeo, comenta que atualmente, tanto empresas brasileiras ou estrangeiras pagam impostos, entre eles o IPI quando é o caso do imposto de importação, o ICMS, além do PIS Cofins. As pessoas físicas  é que têm um tratamento diferenciado.

“O que se pretende coibir são importações que entram como sendo de pessoas físicas, mas são feitas por plataformas e em  uma escala praticamente comercial  e, muitas vezes, com os valores e com a descrição do produto  não correspondendo a realidade para se enquadrar como pessoa física e para escapar de  uma tributação maior”.

Até o dia 27 de maio (sexta-feira), o painel do Impostômetro registrou mais de R$ 1, 174 trilhão de tributos pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estaduais e municipais desde o início do ano. “Quanto se paga hoje e quanto vai pagar depois da Medida Provisória pode variar muito. Geralmente, os itens considerados essenciais são tributados com alíquotas baixas e outros produtos, muitas vezes em caráter temporário, tem uma alíquota maior. Precisamos aguardar a MP”, reforça Marcel Solimeo.  

Vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), Rodrigo Bandeira ressalta que toda e qualquer empresa que venda pela internet no Brasil sofre com a concorrência de vendedores internacionais. “Defendemos que as importações ocorram dentro das regras vigentes e formais do Brasil. O caminho para tornar os sites brasileiros mais competitivos está em proporcionar o atendimento e o processo de compra algo extraordinário, com informações detalhadas e  rápidos prazos de entrega”, afirma Bandeira.

Em uma linha contrária ao que vem sendo defendido pelo Ministério da Economia, na última semana, o presidente Jair Bolsonaro escreveu em post no seu perfil no Twitter que não vai assinar medidas que criem impostos para compras online feitas de fornecedores estrangeiros. “Não assinarei nenhuma MP (Medida Provisória) para taxar compras por aplicativos como Shopee, AliExpress, Shein”.  

Em nota, o Ministério da Economia disse que não iria se manifestar sobre o prazo para a publicação da MP e nem o post do presidente. Diante da polêmica da possibilidade (ou não) de uma regulamentação, a Shopee e a Aliexpress argumentam que cumprem a legislação  e que observam com atenção as movimentações sobre eventuais mudanças regulatórias no e-commerce brasileiro. Já a Schein não retornou o contato da reportagem.  

Evolução
A empresária Ailyn Aquino, 27 anos, é daquelas que não demorou muito para descobrir o caminho de garimpar as melhores ofertas nesses sites e na sua imensidão de categorias. “Atualmente tenho comprado muitas coisas para bebê como fraldas de pano, porta chupeta, lençol. Nessa separação por setor, vou nas ofertas que tem promoção ou busco o produto desejado e faço as comparações”.  

Já a enfermeira Maria Manoela Nogueira, 39 anos, compra de tudo pelo Shopee: bota, carteira e mosquiteiro. “Qualquer coisa que decido comprar, olho antes lá para ver se encontro mais barato. Levo sempre em consideração, as lojas com itens mais vendidos. Quanto mais, melhor”, garante Maria Manoela.
 
Olhando historicamente, os produtos chineses sempre foram comercializados com esse apelo do preço mais baixo. Afinal, quem não lembra da febre das lojas de R$ 1,99 no Brasil? Professor de Inteligência Competitiva na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Roberto Gondo Macedo explica que com o decorrer dos anos, muitos produtos começaram a ter uma qualidade melhor, ganhar espaço no mercado e eles vencem ainda em volume na eficiência logística. O Brasil é um mercado extremamente pertinente para o universo das empresas chinesas e isso se potencializou muito na pandemia.
 
“Os grandes conglomerados conseguiram ir quebrando esse preconceito sobre a qualidade e a morosidade na entrega de produtos e essa evolução vai ser sim uma pedra no sapato de comércios eletrônicos nacionais. Isso não quer dizer, no entanto, que vai haver só um monopólio chinês e quem vai perder são as empresas brasileiras. Porém, o mercado vai ter que começar a conciliar forças e o convívio com os marketplaces estrangeiros”, opina.  

Só para se ter uma ideia dessa aposta no consumidor brasileiro, a Aliexpress hoje opera oito voos fretados semanais conectando o Brasil a distribuidores internacionais, afim de reduzir os prazos de entrega. O Brasil está entre os cinco mercados mais importantes em volume de vendas, no mundo. Nos planos da empresa está também a inauguração de um centro de distribuição no país,  embora não haja um prazo específico para que isso aconteça, conforme ressalta a diretora do AliExpress no Brasil, Briza Bueno.

“O consumidor brasileiro de e-commerce, de um modo geral, é bastante exigente e pesquisador. Há algumas características ainda, que são mais acentuadas no Brasil, como a opção por parcelar compras, método que não é tão comum em outros mercados, e o fato de buscarem esclarecer dúvidas antes de fecharem as compras”.  

Só uma olhadinha
Tantas promoções e ofertas apontam para mais um segredo dos sites asiáticos. De acordo com head para potencializar vendas da AGR Consultores, Rodrigo Catani, eles trabalham muito bem a compra por impulso. Não por um acaso, a Shein lançou recentemente uma coleção exclusiva com a cantora Anitta, que nos últimos meses mobilizou uma imensidão de fãs ao chegar no topo do  Spotify Global com a canção Envolver. A plataforma somou 6,391 milhões de reproduções da música por usuários em todo o mundo.

“E aí entra o gatilho da novidade, da exclusividade, por sempre trazer produtos novos e ‘antenados’ com o que está em alta no mercado, inclusive com abas com o nome tendências ou últimos lançamentos. Isso faz com que o consumidor sinta vontade de acessar o site com alta frequência”, comenta.  

Encontrar tudo no mesmo lugar é mais um fator decisivo que favorece a compra. Muitos desses itens são conhecidos como produtos ‘cauda longa’, ou seja, de  menor tíquete médio e maior giro. Especialista em e-commerce e professor do Prime MBA da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Lucas Machado  comenta ainda que a diversidade é mais uma estratégia que joga a favor dos e-commerces asiáticos.  

“A própria Shein trabalha com mais de 5 mil fábricas pelo mundo, 80 mil opções de vestidos, vende para mais de 220 países, passando grandes marcas nacionais como Renner. Então, com certeza, a questão da variedade é algo que impacta muito, não só isso, mas encontrar uma diversidade de possibilidades. Podemos identificar também nesses sites – embora tenham a sensação de comércio de rua – que eles já começam a se ‘tropicalizarem’, ficando um pouco mais ocidentais”.

E naquela olhadinha ‘só para ver o que há de novo’ é onde mora o risco, como acrescenta o advogado da área de relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), David Guedes: “Sabemos que o consumidor brasileiro é muito suscetível a anúncios de ofertas, promoções e vantagens na hora da compra e nesses sites e aplicativos há muito deste apelo. Independente do valor, não deixe de registrar todas as etapas da compra, desde o contato com o anúncio até a confirmação de entrega do produto, fazendo prints para se resguardar caso venha a ocorrer algum problema”.

Advogada da Proteste Associação de Consumidores, Bianca Caetano concorda. Principalmente porque no geral, os sites estrangeiros ainda precisam avançar no atendimento e comunicação com o cliente brasileiro. As queixas mais comuns registradas pela entidade estão normalmente relacionadas ao descumprimento de oferta no que diz respeito ao não recebimento do produto,  prazo de entrega, produto diferente do adquirido e problemas no exercício do direito de arrependimento, além o ressarcimento dos valores pagos.

“Primeiro o consumidor deve registrar reclamação através do site ou aplicativo, inclusive, com o vendedor atrelado a plataforma. E em caso de não encontrar uma solução efetiva buscar plataformas e órgãos de defesa do consumidor, como o Reclame da Proteste”, aconselha.  

RANKING DOS PRODUTOS MAIS VENDIDOS VIA CROSS BORDER (SITES ESTRANGEIROS)

1.Moda e acessórios 38% 

2. Eletrônicos 36% 

3. Casa e decoração 24% 

4. Informática 21% 

5. Brinquedos e games 17% 

6. Cosméticos 17% 

7. Telefonia e celulares 14% 

8. Livros 13% 

9. Esporte e lazer 10% 

10. Acessórios automotivos 16% 

Fonte: NielsenIQ Ebit 

POR DENTRO DA LINGUAGEM DO COMÉRCIO ONLINE

1. Cross Border
Remete ao transporte de um produto de um país para o outro. Ou seja, consumidores brasileiros compram online em sites estrangeiros, principalmente China e Estados Unidos. Amazon, Shopee, Aliexpress e a Shein são exemplos.

2. Marketplace
É um grande mercado online em que diferentes vendedores são conectados a essa vitrine com o objetivo de expor seus produtos e alcançar mais rápido  seus consumidores. O marketplace cobra uma comissão dos vendedores em cada pedido e em caso de troca faz a intermediação. Além da Amazon, Aliexpress e o Shopee, o mercado nacional tem marketplaces como Magalu e Americanas.  

3. Sellers  
São as empresas ou vendedores que efetivamente estão vendendo dentro do marketplace. 

4. Players
Grandes empresas de um determinado segmento. No caso do e-commerce nacional x crossborder, a disputa está concentrada entre as asiáticas Shopee, Aliexpress e a Shein e as varejistas brasileiras Havan, Magalu, Americanas e Casas Bahia.  

5. Fast fashions    
É um modelo usado por alguns players do segmento de moda, em que o lançamento de coleções não está mais concentrado em uma ou outra estação do ano. A Zara é um expoente desse conceito. Em termos de e-commerce, essa disrupção estimula a velocidade de renovação de peças –  também presente na Shein.

CONHEÇA AS ASIÁTICAS

. Shopee  Lançada em 2015 em Singapura, como uma plataforma de comércio eletrônico para conectar vendedores, marcas e consumidores. Faz parte da Sea Limited. Começou a operar no Brasil em 2019.  

. Shein   A empresa chinesa de comércio eletrônico de fast fashion foi fundada em 2012  e já atende a  150 países em todo o mundo. E um detalhe: não vende no seu país de origem.  

. Aliexpress   Lançado na China em 2010 pelo grupo de tecnologia Alibaba, que opera em mais de 200 países. O Brasil está entre os cinco mercados mais importantes da marca. A versão em português entrou em operação três anos depois.  A fundação da empresa foi liderada pelo executivo chinês Jack Ma (Ma Yun).

‘PEGADINHAS’ DA CHINA

. O comentário tem mais credibilidade do que você imagina Se for comprar algum produto desconhecido do mercado nacional, tenha cuidado para não cair em uma cilada. Diferença do que chegou quando comparado a foto postada no site, tamanho e cor podem transformar a compra em frustração. Por mais que você confira todas as especificações, o ideal é procurar as avaliações de consumidores brasileiros que já adquiriram aquele item. Fique atento também a avaliação da loja e do vendedor.  

. Limites de isenção Compras acima de 50 dólares são taxadas, então é preciso prestar atenção ao imposto que será pago para o mais barato não sair caro.  

. Nem tudo pode ser novo Alguns destes sites vendem produtos (principalmente eletrônicos) recondicionados (refurbished) – ou seja, aqueles que foram devolvidos ao fabricante – mas nem sempre deixam isso claro para o consumidor.  

. Prazos  Ainda que os e-commerces tenham avançado muito na redução do prazo de entrega fica a dica para não confiar tanto assim que aquele produto vai cumprir totalmente o limite do tempo de entrega. Vale comprar com antecedência.  

. Central de Atendimento ao Cliente em evolução Geralmente, as principais queixas que chegam até as entidades de proteção ao consumidor são relativas  ao descumprimento de oferta,  prazo de entrega, produto diferente do adquirido e problemas no exercício do direito de arrependimento, além o ressarcimento dos valores pagos.

É PROIBIDO

A legislação brasileira proíbe o comércio online, importação, trânsito e a exportação de armas, animais e plantas silvestres, bebidas alcoólicas, diamantes (pedras mesmo trabalhadas, mas não montadas, ou seja, classificadas na posição 7102 da Nomenclatura Comum do Mercosul/ NCM), substâncias entorpecentes ou drogas, fumo e qualquer outro produto de tabacaria, moedas em espécie e produtos proibidos pelos órgãos de controle administrativo de saúde, metrologia, segurança pública, proteção ao meio ambiente, controles sanitários, fitossanitários e zoossanitários. Regras e mais informações estão disponíveis no site da Receita Federal (www.gov.br/receitafederal).  

Sementes e mudas 
No caso de sementes e mudas, a importação é controlada pelo Ministério da Agricultura (MAPA) e deve atender requisitos de fitossanidade, qualidade e identidade. As regras estabelecidas pelo Mapa aplicam-se para qualquer modalidade de compra, incluída a compra eletrônica com entrega via remessa expressa ou postal.  

PRINCIPAIS SITES ESTRANGEIROS

1. Shopee (@shopee_br

www.shopee.com.br

2. Shein (@sheinbrasil_

br.shein.com

3. Aliexpress (@aliexpress

pt.aliexpress.com

4. Amazon (@amazonbrasil

www.amazon.com.br

5. Mercado Livre (@mercadolivre

www.mercadolivre.com.br

6. Ebay (@ebay_brasil

www.ebay.com

10. Wish (@wish_br

www.wish.com/br

ENTREVISTA: ANA FERNANDA SOUZA

‘A solução não é comprar ou deixar de comprar nas fast fashions’ 

Uma coisa é comprar de uma marca que reflita seus valores. Outra, é achar que não comprar nas fast fashions vai impedir que haja impactos ambientais ou o trabalho escravo associado à produção. Membro do Comitê Racial do Instituto Fashion Revolution Brasil e representante do Fashion Revolution Salvador, a jornalista Ana Fernanda Souza chama atenção para um contexto que é bem mais denso do que comprar uma blusinha na Shein e envolve uma mudança de comportamento, na verdade mesmo, é de quem toma as decisões de impactos  estruturais, ou seja, empresas e governos.

“A Zara não está preocupada comigo, a Shein menos ainda. A decisão de compra passa mais pela coerência com nossos valores e não na intenção de boicotar uma marca ou outra”, defende. Idealizadora do Coletivo Justa Moda, Ana Fernanda traz algumas reflexões sobre as críticas às fast fashions. Veja na entrevista.  

‘A roupa baratinha que você compra na Shein todo mês tem um preço muito alto’. Qual a maior crítica atualmente às fast fashions?  

A maior crítica as fast fashions é no ponto de vista da sustentabilidade. Na verdade, da  insustentabilidade do  modelo. Ou seja, pela sua agilidade, alto consumo de  matéria prima, quantidade de roupas, coleções lançadas mês a mês, às vezes,  semana a semana – como a gente está vendo aí com as ultra fast fashions, como é o caso  da Shein.

Ela não é em si, sustentável porque ele reproduz um paradigma ultrapassado, mas que a gente conhece bem, de agir como se os recursos naturais fossem infinitos, mas eles não são. Isso se aplica, inclusive, quando a gente pensa em ‘recursos naturais mais sustentáveis’, como o algodão orgânico ou a viscose certificada ou qualquer outra  matéria prima que tenha esse selo eco. Mesmo esses produtos, eles consomem água, precisam de solo, consomem matérias primas que acabam. São negócios que precisam se readaptar a isso.  

*

Parte da solução é mesmo parar de comprar na fast fashions? Por que o problema é muito mais estrutural do que de uma atitude sustentável do consumidor?  

A gente não pode pensar nunca em dar uma solução individual a um problema que é coletivo. Mas sim, em soluções coletivas e de longo alcance. Isso é uma questão.  O segundo ponto tem relação com o próprio ato de consumir. Consumir e refletir sobre o consumo é uma coisa que uma mínima parte da sociedade pode fazer, no sentido do alto índice de pobreza que grande parcela da população enfrenta. Uma escolha baseada em consumo seria uma escolha que apenas a menor parte da humanidade poderia abraçar.  

Por isso, a solução não é comprar ou deixar de comprar nas fast fashions. A gente precisa buscar alternativas que sejam positivas e que passam por lideranças – ambientais, governamentais e empresariais – que precisam tomar atitudes relacionadas a esses assuntos como a redução de gases do efeito estufa, a busca de energias renováveis não poluentes, o fim do desmatamento.

Sejam elas fast fashions ou não,  os governos precisam regular isso melhor e determinar padrões mais altos, multas ambientais que realmente funcionem, que seja aplicadas com valores revertidos  para mudanças climáticas, por exemplo. Isso sim, são soluções coletivas que não passam por essa esfera do onde eu vou comprar.

Claro que cada pessoa fica livre para comprar de marcas que melhor reflitam seus valores, mesmo que a gente saiba que o impacto disso é pequeno sempre buscamos fazer o melhor.  

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‘Os governos precisam regular isso melhor e determinar padrões mais altos’, defende Ana Fernanda
(Foto: Acervo Pessoal)

*

O buraco é mesmo muito mais em baixo do que comprar ou não no brechó?  

Comprar ou não em brechó é uma solução individual e que não atinge todas as pessoas como por exemplo, mulheres e homens com corpos gordos, com deficiência ou fora do padrão  que nem sempre estão contemplados. Aliás, um dos argumentos que as pessoas que gostam de comprar na Shein costumam usar  é que a marca contempla bem os corpos gordos.

Comprar ou não em brechó, mesmo que a pessoa goste muito ou queira, nem sempre ela vai conseguir. Mais uma vez é um esforço baseado em uma solução individual. Apesar disso, a compra em brechó é o habito de prolongar a vida útil das roupas. Com o uso dos brechós, isso é muito positivo. Porém, mais uma vez, não vai impedir os impactos das fast fashions.  

*

Por que o consumidor não pode ser culpado pelo o impacto das fast fashions?  De quem é a culpa efetivamente? 

Eu não culparia o consumidor porque estamos todos nós somos submetidos a um sistema de produção que incentiva o consumo, o desejo e a moda ela é muito eficiente em  querer coisas que a gente não precisa. Querer comprar mais, a roda gira um pouco assim.

Claro que podemos comprar menos, mas estamos dentro de um sistema que funciona desse jeito. É muito mais simples comprar na fast fashion.  Você tem o e-commerce com todas tecnologias para descobrir qual o seu corpo, parcela em tantas vezes, você pode comprar a qualquer hora, então, tudo nos leva a comprar.

A gente tem que pensar em soluções globais. Quando a gente começar a refletir o sistema como um todo e tomar ações no sentido de mudar esse sistema aí eu acho que vamos estar mais perto dessa transformação.

A solução passa por redistribuição de riquezas, justiça social, equidade social e não por reduzir o consumo, porque a maioria das pessoas sequer tem a comida que precisa para o dia dia, quem dirá para consumir moda numa quantidade suficiente a ponto de impactar o meio ambiente.  

QUEM É
Ana Fernanda Souza é
jornalista, Idealizadora do Coletivo Justa Moda, membro do Comitê Racial do Instituto Fashion Revolution Brasil e representante do Fashion Revolution Salvador.  

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