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Dia do Gari: ‘Tem pessoas que passam e não querem nem [nos] olhar’, diz profissional

Escrito por Redação

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Ignorados durante o fluxo acelerado das grandes cidades, os garis ganharão nesta segunda-feira (16), no Dia dos Garis, o protagonismo tão relegado pela população. A Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) preparou a mostra itinerante “Gigantes”. Seis caminhões compactadores e plotados com 12 artes fotográficas dos garis circularão pelos bairros de Salvador a fim de celebrar a data comemorativa evidenciando os profissionais. A exposição que começa hoje também estará aberta ao público no Shopping da Bahia até 31 de maio. 

Gari há cinco anos, Taiane Carvalho trabalha realizando a limpeza das faixas de areia no Rio Vermelho. A soteropolitana de 30 anos afirma que a invisibilização da classe tem diminuído. “Ainda existe sim o preconceito. Só que hoje eu acredito que seja menos. Existe aquelas pessoas que desmerecem a nossa profissão. Mas hoje as pessoas passam por mim e falam que o nosso trabalho é indispensável, que a cidade precisa”, conta. 

Varredora em Santa Mônica, Elaine Oliveira, de 41 anos, está cursando administração e pretende seguir na área de gestão. Reconhece, porém, que trabalhar como gari a fez ver “o outro lado da história”. Na profissão, aprendeu a importância dos pequenos gestos de boas maneiras, a exemplo de desejar “bom dia”. Segundo Elaine, atos como esse podem fazer a diferença no dia a dia de um trabalhador. Em especial naqueles que são invisibilizados. 

“Teve um encontro no Dia Internacional da Mulher que eu gostei muito. Um desfile, um pouco antes da pandemia, na Praça da Sé. Fizeram questão que uma gari [Elaine] estivesse bem vestida como gari e bem maquiada para representar as mulheres do Brasil. Nesse dia me senti tão especial dentro da função, me senti vista, valorizada”, celebra a soteropolitana. 

“Tem pessoas que passam e não querem nem [nos] olhar. Outras elogiam o trabalho. Diz que o trabalho da gente tem valor, levanta a autoestima da gente”, conta.

Ela, no entanto, reclama sobre o machismo na profissão. Por muitas atividades precisarem de força ou resistência física, Elaine desabafa que os homens questionam a capacidade feminina de realizar as tarefas. Outra questão são os assédios sofridos na rua. “Tem homens que acham que podem mexer por ser uma trabalhadora de rua. A mulher tem que se impor, mostrar que está ali para trabalhar e não para estar sofrendo qualquer tipo de cantada, abuso”, protesta. 

Para Rafaela de Assis, agente de varrição, a realidade feminina se expressa de uma outra forma. Com o sonho de ser modelo, a jovem de 23 anos conta que é cuidadosa com a imagem. Sempre que possível vai ao trabalho com o cabelo bem tratado e maquiada. “As unhas eu faço às vezes sim, às vezes não, porque é grande e incomoda um pouco [durante] o trabalho”. 

“Eu sempre gostei de ser modelo, ser gari foi uma opção. Mas eu amo, tenho orgulho”, diz. 

Importância do gari
“Para mim, eles são verdadeiros heróis. São homens e mulheres que, faça chuva ou sol, estão lá, trabalhando de forma digna, não apenas para manter a limpeza da cidade. Mas contribuindo diretamente  para a saúde e bem-estar de toda população”, destaca o Secretário de Ordem Pública e presidente da Limpurb.

As contribuições da classe para a população vão além da limpeza da cidade, que torna a vivência mais confortável e atrativa para moradores e turistas. Mas também são uma questão de saneamento, saúde pública e preservação. 

“[No] meu serviço, todos os resíduos, tudo que se encontra na areia, no calçadão termina indo pro mar. Através desses espaços a gente encontra animais mortos com tampinha de garrafa na boca, presos em rede, com plástico. Tudo que fica na fachada na areia vai para o mar. Se não tivesse essa limpeza diariamente, como estariam os mamíferos no mar?”, indaga Taiane. 

Segundo dados da Limpurb, os agentes de limpeza recolhem uma média diária de 2,7 mil toneladas de resíduos domiciliares e 2,4 mil toneladas de restos da construção civil. Para realizar a limpeza em Salvador e também nas Ilhas é necessário o suporte de mais de 4 mil profissionais que atuam realizando diversos serviços, como lavagem, varrição de praias e vias, capinação e coleta.

Apesar da atividade ser efetiva na limpeza da cidade, o operador de roçadeira e gari há 10 anos, Joilson da Silva, faz um alerta. “Quando se fala em limpeza urbana tem que envolver toda a sociedade em massa. A gente faz a nossa parte. Mas a sociedade também precisa fazer a dela”. 

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

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