Justiça do Paraná nega prisão domiciliar de bolsonarista que matou Marcelo Arruda

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) negou...

Brasileiro sub-17: Bahia perde para o Atlético-MG em Belo Horizonte

O time sub-17 do Bahia perdeu mais uma...

Geraldo Júnior decreta luto na Câmara pelo falecimento do ex-vereador Batista Neves

Três dias de luto foram decretados pelo presidente...

MP Eleitoral defende multa a Bolsonaro por reunião com embaixadores

O Ministério Público Eleitoral (MPE) defendeu nesta quarta-feira (10/8),...

De Conquista para Arábia: conheça o arquiteto baiano que fez o projeto de um palácio em Jeddah

Escrito por Redação

Publicado em:

Compartilhe esse artigo

Um elevador onde é possível estacionar o carro na cabine e chegar diretamente em uma suíte de 250 m², com direito a piscina privativa de mais 200 m² para chamar de sua. E tem mais. Duas cascatas de 17 m de altura, aquários internos, pista de boliche e até uma hamburgueria particular. Ah, e esse luxo todo ainda não acabou. Cinema, cafeteria, mesquita, piscina olímpica e uma garagem principal para 18 carros. Esqueça todos os palácios que você já viu em filmes. Esse é real e foi projetado por um arquiteto baiano. 

O Palácio Abo Omar está sendo construído em Jeddah, na Arábia Saudita. O projeto foi a porta de entrada no mercado árabe de alto padrão para Junior Andrade, de 28 anos. Tudo começou via uma mensagem direct que ele recebeu em seu perfil no Instagram.“O contratante era um multi empresário que já entrou até no Guinness Book (Livro dos Recordes). Um dos seus negócios é a maior rede de hambúrgueres da Arábia Saudita que equivale a 10 quadras de tênis, a I’m Hungry. Em 2020, alguns trabalhos meus começaram a ser repostados por grandes páginas especializadas no setor de arquitetura de luxo nos Estados Unidos e os árabes estavam de olho nisso”. 

Ao abrir a reunião online, o contratante, Abo Omar, impôs de imediato uma condição: só continuaria a conversa se Júnior fosse lá, presencialmente, já que os arquitetos norte-americanos que procurou, antes, não tinham disponibilidade para ir à Arábia. Depois de 15 dias, Júnior estava desembarcando em Jeddah, pela primeira vez, para fechar o trabalho.

“A viagem à região e imersão na cultura possibilitou que eu entendesse melhor toda a arquitetura do Oriente. Esse trabalho foi como um abre-alas para o mercado internacional. Ali pude mostrar a forma que penso e faço arquitetura e trazer o olhar do mundo para o nosso escritório”, ressalta.

O projeto está locado em um terreno de 14 mil m² com uma área total construída de 6 mil m² que envolve um grande palácio no centro e mais quatro casas de 450 m², onde os filhos do empresário irão morar. Além de dois elevadores automotivos, o palácio tem outros 12, somando 14 no total.  A casa tem uma piscina suspensa com fundo em vidro, quadra de squash, quadra poliesportiva e spa. No início, as primeiras plantas vieram em árabe, o que levou à necessidade de contratar um intérprete.  Após um acordo com o cliente, Junior conta que o material técnico passou a vir em inglês, idioma no qual todas as tratativas internacionais são feitas pelo escritório. 

“Confesso que, no começo, o inglês era bem enferrujado e no primeiro contrato precisei de um intérprete até porque o cliente falava apenas árabe. Depois disso, voltei a me dedicar ao inglês e hoje essa comunicação é mais tranquila”, diz.  Após dois anos trabalhando no projeto, a obra para colocar o palácio de pé começou em 2022 com previsão de conclusão em 2025. 

“A arquitetura árabe é caracterizada pelo grandiosíssimo e uso de materiais exclusivos e nobres. A noção de espaço é uma coisa que me marcou bastante. Ambientes que aqui consideramos grandes lá são relativamente normais ou até mesmo pequenos”, complementa o arquiteto. Até agora, a pandemia e a guerra no Oriente Médio não afetaram os prazos da obra, porém, o conflito interferiu nos custos como o aumento do preço do ferro.

“É uma obra que exige bastante tempo. A exuberância e a escala monumental são muito fortes nos empreendimentos árabes”.

Visibilidade 
Andrade tem, atualmente, dois escritórios no Brasil – um, na Bahia e outro, em São Paulo. Em breve, ele deve abrir uma nova unidade em Doha, no Qatar ou Dubai. Na equipe do arquiteto são 25 pessoas, que se dividem desde a parte de projetos até a gestão do negócio e marketing. “Hoje o foco continua no Oriente Médio e a abertura do escritório lá é uma estratégia para novos projetos em Dubai, Barein, Abu Dabhi e Omã. O mercado americano, principalmente em Miami e Nova York, tem se mostrado aberto também, então, nossa expansão deve se dar nesses dois sentidos”.

À frente da JR Andrade Arquitetura, Junior nasceu em Vitória da Conquista, mas começou a atuar em Itapetinga, município baiano onde foi criado. Há seis anos, o primeiro projeto foi a construção da casa de uma tia. “A vontade de me tornar arquiteto surgiu quando entrei em uma loja de iluminação e fiquei analisando as possibilidades que teria em criar ambientes por meio da luz. Sabia que se não fosse jogador de futebol – sonho de toda criança naquela época – seria algo que estivesse ligado a criação”. 

Depois disso, ele retornou para Vitória da Conquista, onde o escritório começou a tomar forma. Por meio das redes sociais, onde acumula atualmente mais de 56 mil  seguidores, Junior começou a divulgar seu trabalho. Antes de focar no mercado de fora, o arquiteto já somava projetos em 19 cidades brasileiras nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.

“Com muito trabalho e dedicação, comecei a fazer marketing digital no Instagram com a visão de exposição ao mercado estrangeiro, vendo que ali teria espaço para mostrar minha arquitetura para o mundo”.

Junior Andrade cursou Arquitetura e Urbanismo na Unime Itabuna, em 2016. O coordenador do curso da faculdade, Luciano Pillo, comenta que para os professores da instituição, Junior sempre pensava a arquitetura ‘fora da caixa’. “As atividades de Junior nos ateliers de Projeto de Arquitetura já demonstravam um forte desejo de transpor os limites formais. Ele já tinha a percepção de que para se tornar um profissional reconhecido seria necessário ir além”.

De acordo com Pillo, toda a complexidade das diferenças urbanas e rurais por aqui, riquezas culturais, tradições e vivências é capaz de dar ao arquiteto uma visão de mundo diferenciada. “A repercussão desse convívio nas formas diversas de pensar, sentir e conceber a arquitetura e o urbanismo preparam o profissional para construir e propor intervenções absolutamente singulares à visão arquitetônica moderna. Seja onde for”.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU-BA), Neilton Dorea, casos como o de Junior Andrade são ainda uma exceção. Porém, tanto a arquitetura brasileira quanto baiana são muito respeitadas internacionalmente.

“Se você olhar isso de um universo de quase 7 mil arquitetos que nós temos no estado da Bahia, dois, três, quatro, conseguem realmente uma oportunidade fora. São arquitetos que fazem contatos, constroem uma rede. Seria até interessante se houvesse um movimento maior dessa internacionalização. A arquitetura baiana tem toda qualidade e competência para isso”. 

Made in Bahia 
E quanto custa um palácio? Por questões contratuais, o arquiteto Junior Andrade esclarece que as informações são mantidas em sigilo, mas valores de execução e construção chegam, em média, a 20 milhões de dólares. Nem todo projeto é igual ao outro. Se no Brasil se usa muito bloco cerâmico e concreto armado, no Oriente Médio as questões climáticas pedem paredes mais espessas e revestimentos nas paredes externas, por exemplo. 

“Uma curiosidade acerca disso é que, ao começar a obra, uma das primeiras coisas após fazer a parte estrutura e de vedações é a instalação do ar condicionado, que fica ligado 24 horas por dia para que os trabalhadores tenham condições de atuar por conta do calor da região”, comenta.

Mesmo em solo árabe e com tantas diferenças, os projetos acabam trazendo muitas influências do Brasil e da Bahia, como destaca Junior. Pedras naturais, madeiras e texturas marcam presença nos trabalhos. “Saber ouvir, estar atento aos detalhes e a capacidade de se adaptar são características muito bem vistas fora do país. Recentemente, o Sidney Quintela – também  arquiteto baiano que tenho um grande apreço – abriu escritório em Portugal. A gente faz uma arquitetura feliz, menos fria e mais quente, criando ambientes acolhedores”.

Pai de Théo e Edu, de 3 e 2 anos, respectivamente, Junior mora hoje em São Paulo, onde a maior parte da sua equipe trabalha. “Vindo do meu contexto de uma família humilde do interior, tenho orgulho de falar isso. A Bahia ainda não saiu de mim. Sou um sonhador, comecei com a ambição de um menino. A boa arquitetura abre portas, mas residir no mercado do exterior significa entender os povos e cultura. Sempre pensei na arquitetura para pessoas, isso somado com meu lado empreendedor me trouxeram até aqui”.

QUEM É

Junior Andrade é proprietário do escritório JR Andrade Arquitetura (@arquitetojuniorandrade). O arquiteto iniciou a carreira no interior da Bahia e hoje atua em 20 cidades brasileiras e seis países no mundo, desenvolvendo projetos de alto padrão. 

O que você achou desse assunto?

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Nos 110 anos de nascimento de Jorge Amado, relembre obras que inspiraram filmes

Jorge Amado, considerado um dos maiores escritores brasileiros, nasceu em 10 de agosto de 1912, há 110 anos. O baiano morreu em 6 de agosto de 2001, aos...

Bell Marques e Durval Lelys dividirão o mesmo palco após 28 anos; saiba detalhes

Dois gigantes da música baiana, Bell Marques e Durval Lelys dividirão o mesmo palco, num show único e histórico, após 28 anos. O show acontecerá dentro da programação...

Baiano é espancado após ser vítima de xenofobia em Portugal

O brasileiro Douglas Rosa foi agredido enquanto curtia uma festa em uma discoteca na cidade de Faro, em Portugal. Ele, que é baiano e trabalha no setor da...