Prefeito de Itaberaba rebate Rui e diz que gestão de hospital não será privatizada

O prefeito de Itaberaba, Ricardo Mascarenhas (PP), rebateu...

Feirenses presas na Tailândia ficaram isoladas em presídio por 2 semanas, diz site

As duas irmãs feirenses presas na Tailândia por...

Defensoria pede nova reinterpretação de norma de colégio militar sobre penteado de alunos

A Defensoria Pública da Bahia (DP-BA) quer que...

‘É o momento de ajudar e dar o meu melhor’, diz Matheus Bahia sobre volta ao time

O lateral-esquerdo Matheus Bahia voltou a ser figura...

Alcateia do Lobo: Ravi lança carreira solo com participações de Baco, Diomedes, Vandal e Cronista do Morro

Publicado em:

Compartilhe esse artigo

Ravi Lobo ainda tem muita história para contar. Quem para e escuta o rapper, MC e cantor do Nova Era Rap, sabe que os 34 anos que constam em seu registro definem pouco ou quase nada do tanto que ele já viveu. E mudou. E quer mudar. 

Dez anos atrás, ele estava saindo da cadeia para cumprir a promessa de não morrer no crime como 90% de seus amigos. Hoje é pai de Lis, está prestes a completar 20 anos de casado com Sara e se tornou uma das referências na cena do rap soteropolitano – um sonho iniciado na saída da cadeia quando recebeu um CD de presente de seu parceiro, Moreno. Daqui a 10 anos, ele quer ter uma carreira solo sólida e ser referência para a molecada. Um artista e verdadeiro educador, como ele mesmo projeta.

O primeiro ato de lançamento da carreira solo de Ravi já está na rua: ele lançou os singles ‘Shakespeare do Gueto’ e ‘Manda Buscar’, este último em parceria com Cronista do Morro. As duas músicas farão parte de seu primeiro single, que terá uma estética de drill, espécie de trap londrino.

Os primeiros passos já deram fruto e ‘Manda Buscar’ venceu o ‘M-V-F Awards’, um dos prêmios mais importantes do setor de videoclipe nacional, na categoria Melhor Videoclipe Envolvendo Diversidade e Inclusão. 

“É um desafio estar no meio de uma parada totalmente diferente do que venho fazendo, mas dentro da realidade do gueto, a linguagem do gueto”, iniciou Ravi antes de explicar que nesse momento solo ele pode se experimentar e mostrar versões de si mesmo que nunca colocou para fora com seu trabalho no Nova Era.

“Eu tinha uma certa cerca com o Nova Era porque a gente tem um rótulo, mas sozinho posso falar e fazer do jeito que quiser. O Nova Era não pode gravar com um cara do pagode porque a gente é um rap cru. Mas Ravi pode, Ravi gravou com o Maggo do Pagode. Eu não podia levar isso para o nome do Nova Era, o projeto ali é diferente”, explicou.

Para o projeto solo sair do papel, ele contou com a ajuda de muitos nomes da cena – a exemplo de Vandal (amigo de longa data) e Baco Exu do Blues. O EP, que tem 8 faixas e será lançado até o final de julho, tem músicas com participação dos dois.

A relação com Baco foi mais além – algo que Ravi não imaginava ser possível há 10 anos, já que o primeiro contato entre os dois não foi amistoso. As rusgas ficaram para trás e Baco foi um dos principais financiadores do lançamento da carreira solo de Ravi através da estrutura do selo 999. Estúdio, início da parte instrumental, consultoria.. tudo isso foi disponibilizado, por Baco, a Ravi.

“O  EP tem participações de Vandal, Diomedes (Chinaski), Baco, Cronista do Morro e estou dialogando com outra pessoa muito especial, que não posso divulgar ainda, mas talvez cole nisso. A ideia é lançar em julho, pós o videoclipe com Baco, da música Uber Black, que será meu próximo lançamento. Quero fazer uma coisa bem impactante, emocionante, na arte do audiovisual”, afirmou.

Das 8 músicas do EP, 7 têm produção assinada por JLV e Dactes e uma é produzida por Raoni Braz – justamente a premiada ‘Manda Buscar’.

“Eu gosto do novo, gosto do desafio. Muita gente que se encontrava comigo dizia ‘mano você não pode morrer’ e eu disse que não iria. Provei a todo o mundo que o crime não ia me matar. Eu tinha ido preso, mas podia mudar. Eu falei com todos os meus amigos que ia virar cantor e virei. Agora, meu desafio é esse projeto solo. É uma luta enorme, estou começando do zero, mas estou feliz”, contou.

Músicas calmas
Apesar de ser rapper, Ravi diz que escuta pouquíssimo rap. “Meus pais são um casal que curtem tipo Legião Urbana, Bob Marley e cresci nessa levada. Hoje em dia, de uns 10 anos pra cá, escuto diariamente Jorge Ben. Eu gosto demais da música dos anos 70. Gosto muito de Exaltasamba, gosto dos rap tipo RZO, Sabotage, Racionais. Ouço muito pouco a parada nova porque acho tudo muito igual, mas eu tento”, revela antes de completar que seu cotidiano é composto por músicas calmas.

Talvez essa busca por uma calmaria tenha a ver com um passado muito agitado, cheio de inquietações. 

“Sou da Liberdade, de uma periferia super violenta, na minha quebrada você vai lá e se assusta. Parece filme, mas é verdade. Gente morta, os caras de fuzil. É um lugar sanguinário e todo o mundo pensou que iria acontecer o mesmo comigo”, relembra.

csm ravilobo8 7d79dc5681
Ravi Lobo sonha com novos voos e experimentações em carreira solo (Foto: Divulgação)

Nova Era não pode parar. Novas mudanças também não
Ravi garantiu que o Nova Era continua. Inclusive, ele e Moreno e estão no estúdio preparando o terceiro disco do grupo. Ele diz que o Nova Era não vai parar nunca, mesmo que passe 10 anos sem gravar nada novo, o grupo continuará nas ruas porque tem missões importantes a cumprir. No próximo final de semana, o grupo inaugura a casa do Hip Hop com show gratuito ao lado da banda Afrocidade. 

“O Nova Era tem projetos sociais, projetos na cadeia, fazemos shows na cadeia voltado ali para o resgate mesmo. Eu conheci o rap nesse lugar e tive coragem de cantar quando estava preso”, iniciou antes de completar sobre o porquê do projeto, alvo de admiração de grupos como o Racionais e seus integrantes, não poder parar. 

“Eu sinto que muita gente tem um dom, que fica preso e a falta de coragem faz você desacreditar e o Nova Era tem esse objetivo de fazer com que as pessoas coloquem isso pra fora. Temos oficinas de hip hop na cadeia e é o tipo de coisa que não pode parar. O Nova Era pode ficar 10 anos sem entrar num estúdio, mas isso tem que continuar”, disse Ravi, que ainda completa: “Estar nas favelas, nas cadeias, nas escolas é uma ideia que vai além da nossa música. Essa ideia de estar nos lugares que a gente precisa, continua. Isso não para, o Nova Era não para”.

Depois de lançar seu primeiro EP, ele pretende ousar ainda mais e já começou a produzir um segundo trabalho. Este, ainda mais distante do que sua carreira foi até o momento: entrou em contato com nomes como Lazzo Matumbi, Skanibais e o Ilê Aiyê porque pretende fazer um trabalho mais orgânico, com banda, numa nova proposta.

“Daqui a 10 anos eu vou mudar 100% do que sou hoje porque cada dia é um aprendizado. E eu não tenho medo de aprender. A cada dia vou me renovando. A cada dia minha filha, minha mãe, minha mulher, minha irmã, minha sogra me ensinam algo novo e quero levar para minha carreira”, comemora.

Lobos podem viver em ambientes com temperaturas que vão de -56ºC a 50ºC. São animais com característica de liderança fortíssima, mas que não abre mão de viver em bandos – as alcateias. Talvez por isso o sobrenome caia tão bem em Ravi: um cara pronto para mudar. Adáptavel. 

Ainda assim, ligeiro, esperto, certeiro, fiel a seus próprios valores. Ravi reúne bem uma série de características do animal que está em seu sobrenome. E, se não suportar viver em temperaturas que que vão de -56°C a 50°C, pelo menos há a certeza de que faz música de 1000º.

O que você achou desse assunto?

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Enfermeira leva literatura e poesias para hospitais da Bahia

A quantidade de enfermeiros com registro ativo no Brasil soma pouco mais de 659 mil, conforme dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)....

As Verdades, com Lázaro Ramos, mostra três versões de um mesmo crime

É injusto que público e crítica não dispensem ao cineasta paulista José Eduardo Belmonte a atenção que deveriam. Um dos mais versáteis criadores...

Estudantes de escolas públicas conhecem cultura quilombola e indígena de perto

A história do Brasil é recontada através do ponto de vista dos povos indígenas e africanos na 6ª edição do projeto Era Uma...