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Acima dos 10%: tabagismo entre homens dispara durante a pandemia em Salvador

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Salvador chega nesta terça-feira (31), Dia Mundial Sem Tabaco, com números longe dos ideais entre o público masculino. De acordo com o Vigitel 2021, estudo anual do Ministério da Saúde (MS) sobre fatores de risco e proteção para doenças crônicas, 10,4% dos homens que vivem na cidade fumam atualmente. Em 2019 e 2020, esse número era, respectivamente, 7,6% e 7,9%. O crescimento que vai na contramão da redução no percentual de homens e mulheres da capital que consumiram tabaco nas últimas décadas, já que Salvador saiu de 18,1% de fumantes na década de 2000 para 8,3% em 2010 e chegou a 6,1% em 2021. 

Entre as mulheres, o percentual de fumantes é de 2,3%, o que coloca a capital baiana como a quarta cidade do ranking de capitais com menos fumantes mulheres, atrás apenas de São Luís (1,5%), Teresina (1,6%) e Aracaju (2,3%). De 2019 para 2020, no entanto, o percentual do público feminino que fumava na cidade saltou de 3,5% para 5,9%, antes de cair para o número atual.

Tanto no aumento contínuo de fumantes entre os homens como no temporário das mulheres, para Abdon Brito, coordenador de atenção primária à saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS), há influência da pandemia. “A gente pode fazer uma correlação, sim. Tanto tabagismo como outros sintomas de doença apresentaram maior variação tendo em vista o isolamento e restrições de circulação. Muita gente, de fato, retomou vícios e aumentou sintomas de ansiedade e estresse”, aponta.

Dificuldade para largar o vício

Exemplo do que Abdon afirma é o comerciante Vanderlei Lima, 53. Depois de começar a fumar aos 14, ele largou o cigarro aos 23 e ficou 28 anos longe do vício. Com a ansiedade e estresse da pandemia, no entanto, voltou ao mau hábito. 

“Na pandemia, de forma errônea e burra, eu acendi um cigarro depois de 28 anos e estou há dois anos e três meses fumando sem conseguir parar. Tive problemas, a ansiedade aumentou e acabei fazendo isso. Nesse período, já consegui reduzir, saindo de 40 cigarros por dia para 18, mas parar é difícil porque está ligado à minha ansiedade”, relata.

Psicólogo que atende dependentes químicos e pessoas com compulsões, Marcos Maia diz que as pessoas tentam barrar a ansiedade com o cigarro, mas o efeito é justamente o inverso. “A nicotina inalada chega ao cérebro em dez segundos e aumenta os receptores das células cerebrais. Nesse momento, são liberados neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer. É uma falsa sensação de calma porque, na verdade, o consumo gera mais estresse e ansiedade. Tanto que a maioria das pessoas fumam um cigarro atrás do outro”, explica.

É essa sensação que conquistou o ator Gabriel Nascimento, 35. Na década de 2000, ele começou a experimentar cigarros por brincadeira com uma antiga namorada. Semanalmente, compravam uma carteira diferente. Depois disso, não parou mais.

“Toda vez que ia para a festa levava um maço ou uma carteira diferente. Pouco tempo depois, virei um fumante diário. Até os 33 anos, fumava entre um ou dois maços por dia. Nesse momento, infartei e um dos fatores principais foi a química do cigarro. Parei um pouquinho, mas não consegui largar de vez. Mudei para o tabaco orgânico, me enganando de que é menos prejudicial e que, em algum momento, vou parar”, conta ele.

O processo de tentativa de largar o cigarro já não é novidade para o estudante Pedro Gil de Carvalho, 24. Ele fuma desde os 20 e tentou parar diversas vezes, mas não conseguiu até então. “Tentei parar, cheguei a ficar três meses sem cigarro, mas voltei e estou até hoje. O complicado é que fumante anda com fumante. Você sai, está em um lugar e o amigo está fumando. Isso, para quem quer parar, é uma tragédia. E toda vez que tentei me perdi aí. Minha maior dificuldade é conseguir evitar isso”, conta ele, que se preocupa com a saúde por ter asma.

Doenças causadas pelo tabagismo

A preocupação de Pedro é mais do que legítima. Segundo Rafael Ayrosa, pneumologista do Hospital Cárdio Pulmonar Rede D’Or, para além da asma, o tabagismo é responsável por infartos, derrames, câncer de pulmão, tuberculose e outras doenças. “O cigarro tem milhares de substâncias tóxicas. Muitas delas são cancerígenas e aumentam os riscos de doenças cardiovasculares. Ele leva a dependência e tem um coletivo de substâncias que agridem o organismo”, explica o pneumologista, ressaltando que há ainda outras muitas doenças.

Quando se fala em cigarro, associa-se a doenças sobretudo respiratórias. Porém, para provar o ponto de Ayrosa, o cigarro desencadeia pelo menos 50 doenças. Entre elas, estão os cânceres urológicos, como o de bexiga. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 70% dos casos de câncer de bexiga estão associados ao fumo. A razão do número alto de casos relacionados ao tabagismo está no fato de que  as substâncias tóxicas do cigarro são eliminadas pela urina e agridem a bexiga.

Mais do que isso, o fumo pode também alterar a saúde sexual, principalmente, dos homens, que podem sofrer com disfunção erétil. Lucas Batista, professor de Urologia da UFBA e coordenador do serviço de urologia do Cárdio Pulmonar, explica como o tabaco causa o problema. “O tabagismo agride, de maneira geral, os vasos do nosso corpo e a artéria que leva o sangue para o pênis também sofre esse tipo de lesão. Ela fica mais endurecida, o sangue não consegue passar com uma rapidez muito grande e aí a pessoa começa a ter disfunção erétil. Para as pessoas que fumam, existe um risco de até 80% de ter um grau de disfunção erétil”, fala o professor.

Por conta desses problemas, Abdon Brito diz que tanto a taxa masculina como a feminina precisam cair em Salvador.  “É sempre importante diminuir porque o combate ao tabagismo é a principal prevenção primária no que tange ao câncer de pulmão. Quando reduz o tabagismo, além do câncer, existe uma redução de outras doenças respiratórias como bronquite e asma, que aumentam o número de internações e pressionam o sistema de saúde”, fala. 

Exames para combater o vício em cigarro

Em comemoração ao Dia Mundial Sem Tabaco, a SMS está promovendo uma semana de mobilização, com realização de exames especializados para combater o tabagismo, como os peak flow, que medem a eficácia da função pulmonar, e a espirometria; além da avaliação clínica. Quem quiser fazer os exames, deve ir até os postos de saúde para obter a guia e agendar o procedimento, que será realizado no Multicentro Carlos Gomes, no Centro, até a quinta-feira (2), das 8h às 16h, e na sexta (3), das 14h às 16h. 

Após a realização dos exames, o paciente poderá aguardar o diagnóstico no mesmo dia e, em seguida, será direcionado para tratamento na rede municipal ou encaminhado para organizações especializadas. 

A SMS tem um programa gratuito de tratamento que é desenvolvido em 23 unidades básicas de saúde administradas pelo município. Para quem quer deixar de fumar, o primeiro passo é se inscrever em uma unidade, levando documento de identificação oficial com foto e cartão do SUS.

Veja onde tratar o tabagismo:

– USF do Alto das Pombas
– USF Ivone Silveira (Calabar)
– UBS Dr. César de Araújo (Boca do Rio)
– USF Claudelino Miranda (Resgate)
– USF Mata Escura
– USF Calabetão
– USF Cajazeiras XI
– UBS Dr. Péricles Esteves Cardoso (Barbalho)
– USF Joanes Leste (Lobato)
– USF Prof. Eduardo Mamede (Mussurunga)
– UBS Dr. Orlando Imbassahy (Bairro da Paz)
– USF San Martim
– USF Vale do Cambonas (Sete de Abril)
– USF Boa Vista do Lobato
– USF San Martim II
– USF Deputado Luiz Braga (Pirajá)
– USF Bom Juá
– USF Fazenda Grande III
– Centro de Saúde Mental e reabilitação Álvaro Rubim de Pinho (Bonfim)
– Multicentro de Saúde Amaralina Adriano Pondé
– Serviço de Atenção Especializada São Francisco (Nazaré)
– Hospital Especializado Otávio Mangabeira (Pau Miúdo)
– Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira (Narandiba)

*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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