Cerca de 18 pessoas que fazem parte do Circo Jamaica conseguiram deixar o distrito de Algodão, que fica na cidade de Ibirataia, e voltar para casa, no município de Prado, sul da Bahia.

Por causa da pandemia da Covid-19, o grupo sobreviveu por mais de quatro meses de doações e a volta só foi possível após uma campanha feito nas redes sociais e rádios.

Em entrevista ao G1, a dona do Circo Jamaica, Norma Sueli Cardim, de 60 anos, contou que a viagem foi feita no último sábado (10) e ela só chegou no destino final na quarta-feira (14).

Sem espaço na casa para agrupar todas as 17 pessoas, parte da família foi para casa de parentes nas cidades de Senhor do Bonfim e Ibirapuã. Desde o dia 5 de março, ela fez apenas cinco espetáculos e teve que parar as atividades, no início, por causa da chuva que atingiu a região, e depois pela pandemia do novo coronavírus.

Segundo Dona Norma Cardim, mais de R$ 2 mil foram arrecadados com doações feitas para comprar combustível. Durante o período em que ficou em Ibirataia, a idosa contou com a doação de cestas básicas dos vizinhos.

“Eu queria agradecer às pessoas que me ajudaram. Tiveram pessoas que doaram R$ 5, R$ 10, depositaram direto na conta bancária e eu não tive a oportunidade de agradecer. Estou muito feliz de poder chegar em casa e agora vamos providenciar uma forma para buscar o que deixamos em Itabuna”, disse.

A proprietária do Circo Jamaica, que tem 27 anos dedicados ao circo, informou que um caminhão-baú, uma parte da estrutura do circo e um veículo de pequeno porte está guardado em um terreno, em Itabuna. A idosa conta que o grupo também recebeu ajuda financeira das prefeituras de Ibirataia e Ipiaú.

“Tenho que voltar em Itabuna para pegar um [caminhão] baú, o circo e um carro pequeno, que ficaram em Itabuna, porque a viagem foi muito longa e os veículos, muito tempo parados, ficaram muito desgastados. Tivemos dificuldades com os pneus, chegávamos nas borracharias e o pessoal nos ajudava”, contou.

Planos para o futuro: De acordo com Norma Caidim, o circo só deve voltar as atividades em 2021. “Nós só vamos voltar no ano que vem. Mesmo que eles [prefeitura] liberem, eu tenho 60 anos, sou hipertensa e preciso cuidar da minha saúde e da dos meus familiares. Vamos arranjar uma forma de sobreviver nesse período, arrumar um outro tipo de emprego”, conta.

Dona Norma disse que alguns integrantes do circo têm experiência com vendas em estabelecimentos e outros com construção de casas.

“Eles já fizeram os currículos e estão entregando nos estabelecimentos. Eu tenho 60 anos, mas ainda consigo fazer uma faxina. Não vamos voltar com o circo neste ano, os casos só crescem”.

Por G1/Bahia

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