Com quase trezentos metros de lama mar adentro em maré baixa, o cenário, antes paradisíaco, mudou radicalmente pelo menos em dois quilômetros de praias na cidade de Nova Viçosa, no extremo Sul da Bahia. As praias mais afetas são: Lugar Comum e Pau Fincado, que costumavam encantar milhares de pessoas por conta de suas raras belezas naturais e agora, agonizam ao serem engolidas por um lamaçal, supostamente procedente das dragagens feitas no Canal do Tomba, local de passagem das barcaças que transportam madeiras da Empresa Fibria Celulose, que saem do porto de Caravelas, com destino ao Terminal Marítimo de Barra do Riacho em Aracruz-ES.

O desastre ambiental está sendo provocado pela correnteza de lama que deixa rastros devastadores nas praias de Lugar Comum e Pau Fincado, dois dos principais cartões postais de Nova Viçosa. A zona à beira-mar é bastante frequentada pelos nativos, visitantes e turistas, por seus encantos naturais e devido sua tranquilidade, águas calmas, cristalinas e exuberante por do sol, agora deixam de atrair as pessoas por conta da poluição que causa uma enorme mudança no meio ambiente, danos ao social e na economia do município que tem como principais vertentes de receita o turismo e a pesca.

Praias engolidas pelo lamaçal em Nova Viçosa afugenta turistas

Preocupado com a situação, o deputado estadual reeleito Robinho (PP), ex-prefeito do município por dois mandatos consecutivos, esteve na semana passada reunido com técnicos do INEMA na tentativa de encontrar soluções para conter o avanço do lamaçal nas praias. O parlamentar destaca que o problema vem causando um forte impacto ao meio natural e vem alertando as demais autoridades para o perigo a economia do município, conclamando que todos abracem a causa visando reverter os danos nocivos causados a natureza que revela-se de extrema gravidade.

Acabou tudo – estamos decretando falência: Robinho disse ainda, que a contaminação das praias vem afetando na economia local, com redução do fluxo turístico e com a pequena procura por reservas em hotéis e aluguel de imóveis para temporada do verão que se aproxima. Além disso, os pescadores têm encontrado dificuldades em pescar o camarão e o peixe que desapareceram, causando grandes prejuízos ao setor pesqueiro. “O lamaçal que deixa duas praias improprias para banho e lazer em Nova Viçosa se estende mar adentro no sentido sul a cidade de Mucuri, causando danos irreparáveis à natureza”, relata o deputado.

Deputado Robinho (PP) se reúne com INEMA e conclama todos a abraçarem a causa visando reverter os danos nocivos causados a natureza

“Há pouco mais de quatro anos começamos a perceber uma diferença no mar com a formação de bancos de areia nas praias de Nova Viçosa por conta das dragagens Canal do Tomba em Caravelas, com a retirada do material do fundo do mar e depositada em uma área da Costa Litorânea autorizada pelo IBAMA. O local transbordou e os resíduos foram trazidos pela corrente marítima vinda do norte. A chegada do lamaçal tirou a paz dos banhistas e virou alvo de reclamações por parte das pessoas que defendem a natureza e frequentam as praias desse paraíso chamado Nova Viçosa”, explica Lucineide Maria Araújo Fernandes, integrante da diretoria da Associação da Rede Hoteleira de Nova Viçosa.

Lucineide disse que esteve no mês passado participando de uma reunião com o pessoal da Fibria que pediu prazo até o dia 5 de novembro, para que possa se reunir com a diretoria da empresa e dar uma resposta. “Se até lá, eles não trouxerem nenhuma solução, vamos começar a fazer manifestações. Os pescadores também sofrem com o desastre no mar. Quando saem para pescar e arredam suas redes, em vez de pegar camarão e peixe, arrastam lama. Acabou tudo. Estamos decretando falência. Como é que os turistas vão vim tomar banho de mar. Não sabemos como vai ser nosso verão esse ano aqui em Nova Viçosa”, finaliza.

Texto de Pedro Oliveira | repórter da Tribuna da Bahia

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